Satélites
Ecológicos
Os
mais recentes avanços na pesquisa mundial sobre ecologia
florestal, em seus diversos aspectos, estão destacados
no livro New Research on Forest Ecology, que acaba de ser lançado
pela editora norte-americana Nova Science.
Simone Freitas, pós-doutoranda do Laboratório
de Ecologia da Paisagem e Conservação (LEPaC) do
Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da
Universidade de São Paulo (USP), e Yosio Shimabukuro, pesquisador
do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram convidados
para tratar de um tema de excelência na pesquisa nacional,
no capítulo Diagnósticos de florestas tropicais
por sensoriamento remoto.
“O objetivo do livro era mostrar o que há
de novo em ecologia de florestas. No capítulo que escrevemos,
procuramos entender as possibilidades de uso das imagens de satélites
não só para localizar e quantificar as florestas
tropicais, mas também para tentar diagnosticar as condições
em termos estruturais, de funcionalidade e de conservação”,
disse Simone à Agência FAPESP.
Os autores fizeram uma revisão de trabalhos
publicados sobre a aplicação de técnicas
de sensoriamento remoto em florestas tropicais. “A vantagem
de utilizar imagens de satélite é que elas reduzem
substancialmente o trabalho de campo, facilitando a aquisição
de informações sobre desmatamento e focos de incêndio,
por exemplo”, disse a autora, que é bolsista da FAPESP.
Os editores encomendaram o capítulo depois
da publicação de um artigo de Simone, publicado
em 2005 na revista Forest Ecology and Management. “Foi resultado
da minha tese de doutorado, defendida naquele ano. No trabalho,
associei dados de campo de estrutura da vegetação
de fragmentos de floresta tropical – a Mata Atlântica,
no caso – com dados de sensoriamento remoto que visavam
a calcular índices de vegetação”, explicou.
A autora conta que a motivação para
o artigo foi realizar uma avaliação dos próprios
limites das técnicas de sensoriamento remoto. “Há
muita informação sobre como localizar e quantificar
essas florestas, observando o que está sendo perdido e
localizando os focos de incêndio. Mas pouco se conhece sobre
as condições das florestas que restam”, disse.
Sensoriamento remoto
Segundo a pesquisadora do LEPaC, o uso das imagens
de satélite impõe limitações que tornam
o trabalho de campo necessário. “Procuramos compilar
estudos que fazem essa relação dos dados de campo
com os de satélite para que, no futuro, seja possível
reduzir o trabalho de campo. Alguns estudos associam biodiversidade,
biomassa e produtividade primária”, explicou.
Simone destaca que o livro deverá interessar
a quem trabalha com ecologia e engenharia florestal. “Como
ele não é dirigido necessariamente para quem lida
com imagens de satélite, também incluímos
uma revisão dos conceitos básicos de sensoriamento
remoto.”
Nos demais capítulos do livro, os outros
autores discutem temas como “Papel funcional dos artrópodes
em ecossistemas florestais”, “Influência do
micro-habitat na sobrevivência de sementes na savana semi-árida
africana” e “Relações entre energia
metabolizável e parâmetros químicos de frutas
florestais utilizando um algoritmo genético paralelo”.
A obra também reúne artigos de especialistas dos
Estados Unidos, Austrália, França, Espanha, Índia,
Zimbábue e Japão.
O livro New Research on Forest Ecology pode ser
adquirido pelo endereço www.novapublishers.com
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP (24/05/2007)