Quebradeiras
de Coco pedem aprovação de Projeto contra derrubada
de Palmeiras de Babaçu
Aos 73 anos, a maranhense Maria Romana vive há
mais de quatro décadas do coco babaçu. Ela criou
todos os filhos com a renda da quebra do coco. Atualmente, ensina
outras quebradeiras a fazerem sabão em pó e em barra,
azeite, bolos e outros alimentos com o babaçu.
Ontem (11), Maria Romana esteve na Câmara
dos Deputados junto com outras mulheres para pedir a aprovação,
na Comissão de Meio Ambiente, do projeto de lei que proíbe
a derrubada de palmeiras de babaçu no Maranhão,
Piauí, Tocantins, Pará e Goiás.
"As mulheres que não têm condições
vivem do coco. É uma forma de [obter] renda, de sustentar
a família. Muitas criaram os filhos quebrando coco. Eu
mesma criei os meus assim", disse Maria Romana.
O projeto determina o livre acesso às palmeiras
do coco babaçu em terras públicas ou privadas para
as populações agroextrativistas que vivem em regime
de economia familiar e comunitária, e proíbe o uso
predatório desse tipo de vegetação.
De acordo com a justificativa da proposta, hoje
no Brasil existem cerca de 18 milhões de hectares de terra
cobertos por babaçuais, o que permite que mais de 300 mil
quebradeiras de coco vivam em regime de economia familiar por
meio da extração do coco babaçu.
O projeto apenas permite a derrubada de babaçuais
se for necessária à execução de obras
de utilidade pública ou de interesse social, para estimular
a reprodução das palmeiras ou em caso de raleamento
da vegetação. Em caso de descumprimento da lei,
o infrator terá de pagar multa com base no número
de palmeiras derrubadas e de acordo com a Lei de Crimes Ambientais.
"Muitas vezes é prudente elaborar
uma lei que trate especificamente do recurso ameaçado,
dado o impacto que a sua extinção ou mau uso representaria
ao meio ambiente e à comunidade dele dependente",
explica o relator da matéria, deputado Sarney Filho (PV-MA),
na sua justificativa ao projeto.
Fonte: Priscilla Mazenotti / Agência
Brasil
Ambiente Brasil (12/07/2007)