Litoral
paranaense ganha três novas Reservas Ambientais
Decretos assinados na semana passada pelo
diretor-presidente do IAP - Instituto Ambiental do Paraná,
Vítor Hugo Burko, acrescentam três novas unidades
de conservação ambiental ao estado. A partir de
agora, as reservas florestais Rio da Cachoeira, Serra do Itaqui
e Serra do Itaqui I, de propriedade da SPVS - Sociedade de Pesquisa
em Vida Selvagem e Educação Ambiental, passam a
ser reconhecidas pela denominação RPPN - Reserva
Particular do Patrimônio Natural.
Localizadas na Área de Proteção
Ambiental (APA) de Guaraqueçaba, no litoral norte paranaense,
as novas RPPNs somam 8,2 mil hectares de Floresta Atlântica.
Elas se unem a outras duas reservas também de propriedade
da SPVS, Águas Belas e Morro da Minam, localizadas na mesma
região.
“As RPPNs são unidades de conservação
particulares reconhecidas pelo governo estadual com o objetivo
de preservar a biodiversidade da região. É proibido
qualquer tipo de uso, a não ser a pesquisa e a visitação
contemplativa”, explica o coordenador-executivo da SPVS,
Clóvis Borges.
“Qualquer um, sendo pessoa física
ou jurídica, pode transformar sua propriedade em reserva,
desde que a área não seja de propriedade do governo”,
completa o diretor executivo da Associação Paranaense
de Proprietários de RPPNs (RPPN Paraná), Alexandre
Martinez.
Com a criação das RPPNs, os municípios
que abrigam as áreas transformadas em unidades de conservação
ambiental adquirem o direito de receberem parte do ICMS Ecológico,
que representa cerca de 5% do ICMS total arrecadado pelo estado.
No caso das RPPNs recémcriadas, os municípios beneficiados
são Antonina (que abriga a reserva do Rio Cachoeira) e
Guaraqueçaba (que abriga as reservas Serra do Itaqui e
Serra do Itaqui I).
O benefício ainda causa certo receio às
prefeituras. “É um ganho em recurso financeiro e
é um ganho ambiental, mas é uma perda no desenvolvimento
sustentável porque nessas áreas poderia ser feito
um rabalho para evitar o êxodo rural, com agricultura orgânica
ou pequenas criações”, argumenta o Secretário
Municipal do Meio Ambiente, da Agricultura e da Pesca de Guaraqueçaba,
Ivair Barbosa Colombes. Mas Borges garante que a mudança
só traz vantagens à região. “É
uma possibilidade do litoral norte do estado ter um desenvolvimento
baseado na conservação da natureza, com atividades
alternativas, como o ecoturismo.”
Atualmente, existem 742 reservas como essas em
todo o Brasil, um número relativamente pequeno para um
país com a extensão que possui. O Paraná
possui 205 delas, que representam cerca de 28% do total brasileiro.
Iniciativas como a da SPVS são importantes para a preservação
dos diversos ecossistemas do estado. “É um passo
exemplar para as próximas gerações, de conservação
e proteção inclusive do clima e das águas”,
afirma Martinez.
Apesar da importância de unidades de conservação
ambiental em todo o país, é consenso entre os proprietários
de RPPNs o descaso do governo estadual em relação
à preservação no estado. “O Paraná
só agora começa a reconhecer a importância
da iniciativa privada para conservação ambiental,
mas ainda falta incentivo e criação de políticas
públicas em relação ao meio ambiente”,
reclama Borges.
Gazeta do Povo/PR