{"id":8656,"date":"2020-09-01T18:32:22","date_gmt":"2020-09-01T21:32:22","guid":{"rendered":"https:\/\/rbma.org.br\/n\/?p=8656"},"modified":"2020-09-04T19:02:55","modified_gmt":"2020-09-04T22:02:55","slug":"pesquisadores-fazem-registro-raro-e-descobrem-nova-especie-de-cobra-da-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rbma.org.br\/n\/pesquisadores-fazem-registro-raro-e-descobrem-nova-especie-de-cobra-da-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"Pesquisadores fazem registro raro e descobrem nova esp\u00e9cie de cobra da Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<p>A identifica\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies na Mata Atl\u00e2ntica, densamente povoada e explorada h\u00e1 s\u00e9culos, sempre causa algum n\u00edvel de surpresa. O novo registro pro bioma \u00e9 uma cobra, que apesar de batizada de <em>Dipsas bothropoides<\/em> pela sua semelhan\u00e7a com as jararacas (g\u00eanero Bothrops, da fam\u00edlia de v\u00edboras), n\u00e3o \u00e9 pe\u00e7onhenta e pertence ao grupo das serpentes conhecidas popularmente como dormideira. A descoberta deu trabalho aos pesquisadores, que encontraram apenas um outro exemplar da esp\u00e9cie. A escassez de registros levou os bi\u00f3logos a apontarem que ela pode ser considerada criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro encontro com a <em>Dipsas bothropoides<\/em> foi feito pelo herpet\u00f3logo Konrad Mebert em 2016, que passou por um exemplar rec\u00e9m-morto na estrada, no munic\u00edpio de Itacar\u00e9, no litoral da Bahia. Ao ver a serpente, Konrad percebeu que aquela n\u00e3o era nenhuma das esp\u00e9cies j\u00e1 conhecidas na regi\u00e3o. Durante as investiga\u00e7\u00f5es para identificar a cobra, foi encontrado outro esp\u00e9cime, coletado em Minas Gerais em 2004 e que fazia parte da cole\u00e7\u00e3o do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ambas as coletas correspondem a ambientes de Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o da <em>Dipsas bothropoides<\/em> foi publicada no in\u00edcio de agosto, <a href=\"https:\/\/bioone.org\/journals\/south-american-journal-of-herpetology\/volume-17\/issue-1\/SAJH-D-17-00112.1\/A-New-Species-of-Snail-Eating-Snake-Dipsas-Cope-1860\/10.2994\/SAJH-D-17-00112.1.full\" rel=\"noopener noreferrer nofollow external\" data-wpel-link=\"external\">no South American Journal of Herpetology<\/a>. O artigo \u00e9 assinado por uma equipe de pesquisadores. Al\u00e9m de Konrad Mebert, da Universidade Estadual de Santa Cruz, da Bahia, participaram da pesquisa herpet\u00f3logos do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal do Rio Grande.<\/p>\n<p>O g\u00eanero Dipsas possui 41 esp\u00e9cies distribu\u00eddas do sul do M\u00e9xico pela Am\u00e9rica Central at\u00e9 a Am\u00e9rica do Sul. S\u00e3o cobras de pequeno e m\u00e9dio porte com estilo de vida arbor\u00edcola e com alimenta\u00e7\u00e3o especializada em carac\u00f3is e lesmas. O padr\u00e3o de cor \u00e9 altamente polim\u00f3rfico, mas a maioria das esp\u00e9cies de Dipsas exibe manchas ou an\u00e9is escuros em uma cor de fundo marrom claro a cinza.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-8660 size-full\" src=\"https:\/\/rbma.org.br\/n\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_Nova-cobra-mata-atlantica-2.png\" alt=\"\" width=\"1152\" height=\"918\" srcset=\"https:\/\/rbma.org.br\/n\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_Nova-cobra-mata-atlantica-2.png 1152w, https:\/\/rbma.org.br\/n\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_Nova-cobra-mata-atlantica-2-300x239.png 300w, https:\/\/rbma.org.br\/n\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_Nova-cobra-mata-atlantica-2-1024x816.png 1024w, https:\/\/rbma.org.br\/n\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Oeco_Nova-cobra-mata-atlantica-2-768x612.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1152px) 100vw, 1152px\" \/><\/p>\n<p>\u201cA descoberta e o reconhecimento de <em>Dipsas bothropoides<\/em> como uma nova esp\u00e9cie baseada em apenas dois esp\u00e9cimes encontrados em uma \u00e1rea aparentemente bem amostrada, qualifica-a como uma esp\u00e9cie muito rara\u201d, explica o artigo que esclarece que a suspeita de que poderiam se tratar de dois indiv\u00edduos de uma esp\u00e9cie j\u00e1 conhecida, por\u00e9m com anomalias, foi descartada por causa do grande n\u00famero de diferen\u00e7as entre essas duas Dipsas e outras esp\u00e9cies pr\u00f3ximas. \u201cUma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica produziria formas aberrantes em apenas um grupo particular de caracteres externos (ou seja, muta\u00e7\u00f5es separadas para cor, tipo de mancha ou n\u00famero de escala), como geralmente acontece em esp\u00e9cimes aberrantes\u201d, justifica o estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam ainda que a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 um hotspot de conserva\u00e7\u00e3o com menos de 10% da sua cobertura original remanescente, que se encontra na maior parte fragmentado e perturbado. \u201cCobras arb\u00f3reas, como a nova esp\u00e9cie <em>Dipsas bothropoides<\/em>, est\u00e3o provavelmente em risco de extin\u00e7\u00e3o devido \u00e0 perturba\u00e7\u00e3o e perda r\u00e1pida de seu habitat. Esta esp\u00e9cie pode persistir apenas em baixas densidades. Portanto, e como atualmente conhecemos <em>D. bothropoides<\/em> apenas a partir de registros \u00fanicos em duas localidades, consideramos esta esp\u00e9cie em Criticamente Amea\u00e7ada\u201d, alertam no texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A identifica\u00e7\u00e3o de novas esp\u00e9cies na Mata Atl\u00e2ntica, densamente povoada e explorada h\u00e1 s\u00e9culos, sempre causa algum n\u00edvel de surpresa. 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