Restauração Cidadã na Costa Verde: RBMA articula iniciativa que une saberes tradicionais, conservação e resiliência climática em Paraty (RJ)
Comunidade caiçara de Ponta Negra recebeu a solenidade de lançamento do projeto coordenado pela RBMA e viabilizado pela parceria entre UNESCO no Brasil e Repsol Sinopec Brasil, integrando recuperação de encostas, governança territorial e o Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC).
Em um território de extraordinária relevância ecológica e cultural, a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA) por meio do Instituto Amigos da RBMA (IA-RBMA) realizou,, na última sexta-feira, 14 de agosto de 2026, a solenidade de lançamento oficial do projeto Restauração Cidadã na Costa Verde.O encontro aconteceu na Sede da Associação de Moradores da Comunidade Tradicional Caiçara de Ponta Negra, na Península da Juatinga, em Paraty (RJ).
A iniciativa é viabilizada no âmbito do Programa Ecos do Amanhã, uma parceria estabelecida entre a UNESCO no Brasil e a Repsol Sinopec Brasil. O projeto conecta ciência florestal, salvaguarda socioambiental e saberes locais no enfrentamento às mudanças do clima e na proteção de áreas vulneráveis.
A comunidade de Ponta Negra está inserida em um dos cenários mais preservados e singulares do país, marcado por um mosaico de Unidades de Conservação e importantes chancelas socioambientais da UNESCO:
- Zona Núcleo da RBMA: Território prioritário de conservação e conectividade ecológica no âmbito do Programa Homem e a Biosfera (MaB/UNESCO);
- Sítio do Patrimônio Mundial Misto: Integrante do primeiro sítio brasileiro reconhecido mundialmente por sua riqueza excepcional de Cultura e Biodiversidade (Paraty e Ilha Grande);
- Rede de Cidades Criativas da UNESCO: Área abrangida pelo título de Paraty na valorização de sistemas alimentares e cultura gastronômica tradicional;
- Unidades de Conservação Sobrepostas: Inserida nos limites da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (REEJ / INEA) e da Área de Proteção Ambiental (APA) de Cairuçu (ICMBio).
O papel de uma Reserva da Biosfera é articular e aproximar múltiplos atores no território para cumprir suas três funções fundamentais: conservar a biodiversidade, fomentar o desenvolvimento sustentável com geração de renda e valorizar a pesquisa científica ao lado do saber tradicional. Em Ponta Negra, essa integração acontece no chão do território.

Legenda: Reunião com a comunidade e apresentação do mapa indicando a área de intervenção do projeto. Foto: Robert Galastri
Sinergia com o Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC)
Um dos pilares estruturantes da iniciativa é a atuação em sinergia com o trabalho desenvolvido pelo Instituto Pólis, responsável pela facilitação participativa do Plano de Desenvolvimento Comunitário (PDC) de Ponta Negra.
O PDC é um instrumento de planejamento construído com os próprios moradores, integrando a valorização cultural caiçara, o turismo de base comunitária e a gestão de riscos climáticos nas encostas habitadas. A união entre a Restauração Cidadã e o plano do Pólis fortalece a infraestrutura natural e garante que a prevenção de desastres seja planejada com protagonismo comunitário.
Ressignificar a Dor em Esperança e Ação Climática
A atuação em Ponta Negra carrega um profundo compromisso humano e socioambiental. A comunidade enfrentou, em 2022, perdas irreparáveis causadas por deslizamentos de terra após intensos temporais. Ao aplicar Soluções Baseadas na Natureza (SbN) com o plantio de espécies florestais nativas para estabilização de encostas e contenção hídrica, o projeto atua na segurança territorial, transformando a memória do desastre em esperança prática e mitigação de riscos.
Pelo conceito da Restauração Cidadã, os moradores assumem o papel de guardiões e cientistas cidadãos, capacitados para realizar o plantio, a evolução das mudas e o monitoramento contínuo das encostas.

Legenda:Certificação dos agentes locais que participaram do Curso de Restauração Ecológica promovido pelo projeto. Foto: Luzia Nunes
Metas, Capacitação e Próximos Passos (Ciclo 1)
Com conclusão prevista para novembro de 2026, o Ciclo 1 tem como meta a restauração ecológica de 3 hectares de áreas prioritárias, projetando o sequestro de cerca de 2.500 toneladas de carbono.
As principais etapas incluem:
- Campo de levantamento da linha de base: Realizado nos dias 17 e 18 de Junho deste ano, a equipe executiva esteve em campo com a comunidade para decidir sobre a área a ser restaurada.
- Formação dos Guardiões da Restauração: Imersão técnica de agentes comunitários e guarda-parques da REEJ no Centro de Referência do ITPA (Miguel Pereira/RJ), realizada no início de agosto;
- Preparo de Área e Plantio Comemorativo: Manejo do solo e ato simbólico de plantio realizado durante a solenidade de lançamento no dia 14/08;
- Grande Mutirão Comunitário (Outubro/2026): Dois dias de mobilização coletiva para o plantio participativo nas áreas de interv;
- Monitoramento Integrado: Acompanhamento sistemático do desenvolvimento florestal integrado à plataforma digital da RBMA, atendendo às diretrizes da Resolução INEA nº 143/2017.
A coordenação já projeta o Ciclo 2, que contemplará a manutenção de longo prazo, novas ações e a possível expansão do modelo de restauração para outras áreas da Península da Juatinga.
Governança Participativa e Acordos de Cooperação
Para garantir a sustentabilidade das ações, o projeto avança na formalização de Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INEA/REEJ e o ICMBio/APA Cairuçu (validação e monitoramento conjunto), com o Instituto Pólis (alinhamento com o PDC) e com a Prefeitura de Paraty, via Secretarias de Meio Ambiente e de Agricultura / Horto Florestal (fornecimento de insumos e mudas nativas).
A solenidade de lançamento do dia 14 de agosto contou com a participação de lideranças e representantes de diversas instituições:
- Associação de Moradores de Ponta Negra;
- Equipe executiva do projeto representando a RBMA;
- Comitê Estadual da RBMA no Rio de Janeiro;
- UNESCO no Brasil e Repsol Sinopec Brasil;
- Superintendência Regional do INEA e Coordenação da REEJ;
- Chefia do NGI Paraty / ICMBio (APA Cairuçu);
- Instituto Comunitário de Paraty (ICP);
- Representantes e gestores da Prefeitura Municipal de Paraty.
- Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT);
- Administração do Condomínio Laranjeiras;
O Projeto Restauração Cidadã na Costa Verde segue em campo ao longo dos próximos meses, avançando na preparação das áreas e no engajamento da comunidade rumo ao Mutirão Comunitário de Restauração em Outubro. Continue acompanhando as notícias sobre o projeto!







